Plástico inteligente, que mudará
de cor quando houver, por exemplo, violação da embalagem de um alimento, se
este item se estragar ou, ainda, quando esse mesmo produto for contaminado pelo
contato com alguma substância tóxica. Desenvolver material com essas
propriedades é um dos novos desafios colocados pela Braskem, que tem fábricas
em Mauá e em Santo André. Segundo o diretor de inovação e tecnologia para a
unidade de poliolefinas da Braskem, Patrick Teyssoneyere, sensores desse tipo
já existem. A questão é, por um lado, conseguir ‘embarcar’ essas
características no plástico que embala os produtos. Por outro, é necessário
estudar para que produtos ou mercados concentrem o foco e mapeiem as cadeias
produtivas que poderiam ser exploradas. “Mas já estamos conversando com
indústrias alimentícias e há interesse”, disse.
Projeto começa em 2014 no RS
A companhia petroquímica está
montando atualmente equipe em seu centro de inovação em Triunfo (Rio Grande do
Sul) para se dedicar a projeto desse tipo a partir de 2014. Mas ele relata que
deve levar de quatro a sete anos para que novidades como as embalagens
inteligentes cheguem ao mercado. “É algo sensível para o consumidor, que deve
passar a demandar esse tipo de tecnologia”, avalia. A Braskem tem investido
bastante em inovação. No ano passado, foram R$ 188 milhões em pesquisa e
desenvolvimento e, neste ano, o montante aportado deve superar esse número,
assinala o diretor. A empresa conta hoje, só no centro de inovação de Triunfo,
com carteira de mais de 300 projetos inovadores implantados, e lançou, nos
últimos três anos, 64 produtos, que juntos representam 18% do volume apurado
com a comercialização de resinas termoplásticas (principal produto da companhia
e que é insumo para a fabricação de embalagens e peças plásticas).
Inovação sai de Triunfo
A petroquímica, que é maior da
América Latina – atingiu em 2012 receita líquida de R$ 35,5 bilhões – hoje
possui quatro centros de pesquisa: além da unidade gaúcha, em Campinas ,
Camaçari e em Pittsburgh (EUA). Boa parte da inovação, no entanto, sai de
Triunfo, onde está localizada a planta fabril de plástico verde (feito a partir
do etanol e não de derivado de petróleo). Na unidade gaúcha se concentram
atualmente estudos, por exemplo, para a empresa desenvolver catalisadores, que
são produtos fundamentais para a produção petroquímica. “É o arquiteto do
polímero, é o que vai unindo as moléculas, dentro de condições de temperatura e
pressão determinadas”, afirmou o executivo.
Automotivo
Apesar de o Grande ABC não deter
mais um centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa, há muitos projetos
desenvolvidos no Sul do País que vão ter mercado e produção na região, como a
de resina de polietileno, em Santo André. É o caso de material destinado à
fabricação de tanques de combustível para veículos. Hoje, a petroquímica atende
todas as montadoras com matéria-prima (plástico) para oferecer mais leveza e,
ao mesmo tempo, resistência física ao impacto, e fabrica também itens com
especificações para tancagem de produtos químicos. Isso porque o objetivo é
focar a atividade fabril de produtos que fiquem mais próximo dos clientes.
Tanques do combustível
E como o polo de Capuava, onde a
Braskem tem fábricas, fica mais perto das indústrias de autopeças e de
automóveis, é mais fácil localizar nessa unidade itens para esse mercado.
Recentemente, o centro de pesquisas gaúcho passou a desenvolver tecnologia
também para tanques de combustíveis de caminhões feitos em resina plástica, que
deverão atender indústrias de veículos pesados da região.
Fonte: Diário
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