A gigante alemã de
especialidades químicas Evonik, que faturou 14 bilhões em 2011, está apostando
suas fichas na América Latina para fugir da crise na Europa, que hoje é seu
principal mercado. A empresa abrirá três novas unidades na região - duas no
Brasil e uma na Argentina -, que consumirão investimentos de R$ 520 milhões.
As
unidades brasileiras ficarão em Americana (SP) e em Castro (PR) e deverão estar
prontas em 2014. A fábrica paulista vai produzir princípios ativos para a
indústria de cosméticos, com o objetivo de fornecer matéria-prima para companhias
que já são clientes globais da Evonik e estão localizadas no Estado, como
Procter & Gamble, L'Oreal e Unilever. Já a unidade paranaense produzirá
ingredientes para aumentar a eficiência da alimentação de frangos - o objetivo
é fornecer o produto para agroindústrias próximas, incluindo uma unidade
avícola da Brasil Foods.
Unidade
na Argentina
De acordo com Weber Porto,
presidente da Evonik na América do Sul, do total de investimentos previstos
para a região, cerca de dois terços (R$ 350 milhões) serão aplicados no Brasil.
A terceira fábrica, de catalisadores para biocombustíveis, será aberta na
cidade argentina de Puerto San Martin, por causa do maior desenvolvimento desse
mercado na nação vizinha.
Segundo a Evonik, a produção de biocombustíveis na
Argentina é praticamente equivalente à brasileira, apesar da diferente
proporção dos dois mercados. A aposta renovada no Brasil, depois de anos sem
investimentos relevantes, se justifica pela necessidade de expandir mercados em
um cenário de crise na Europa.
De acordo com Patrik Wohlhauser, membro da
diretoria executiva da Evonik, a expectativa para a Europa é de crescimento
zero para os próximos anos. Quarenta por cento das vendas do conglomerado se
concentram no continente. Por isso, a ordem agora é aumentar a aposta em nações
emergentes asiáticas e latino-americanas. Hoje, a América Latina - que não
inclui o México, considerado parte da América do Norte pela empresa - tem o
Brasil como carro-chefe. Por isso, a maior parte dos investimentos na região
estará concentrada por aqui. As vendas anuais atualmente somam 650 milhões,
montante que a Evonik espera inflar para 1 bilhão nos próximos quatro anos.
Um
novo Brasil
Hoje, o grupo mantém duas
fábricas no Brasil: uma de peróxido de hidrogênio, usado como alvejante químico
por indústrias de celulose, em Barra do Riacho (ES), e outra de catalisadores
químicos para a indústria farmacêutica, já instalada em Americana (SP).
A
empresa mantém ainda um centro técnico e dois laboratórios de pesquisa no País.
Seguindo companhias que atuam em ramos similares, como a americana 3M e a alemã
Basf, a Evonik passou a concentrar seus esforços em três segmentos: nutrição e
saúde para o consumidor, eficiência de recursos e materiais especiais.
As novas
unidades brasileiras se concentram na primeira categoria, por causa da forte
expansão do consumo do País ao longo da última década. De acordo com o
presidente da operação sul-americana, o número de funcionários da Evonik no
Brasil deverá subir de 300 para 400 até 2014. Sediado na cidade alemã de Essen,
o grupo Evonik foi formado em 2007, a partir de diversos processos de fusões e
aquisições. Entre as cinco principais companhias que ajudaram a compor o que é
hoje a Evonik está a Degussa, originalmente fundada no fim do século 19 e
presente no Brasil desde 1953.
Fonte: OESP
B4
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