Os
fabricantes de peças e embalagens de plástico devem reduzir, neste ano, a
produção em 3,5% a 4% frente ao volume fabricado no ano passado, como resultado
da desaceleração da economia e das dificuldades de competitividade da indústria
nacional frente aos importados. É o que diz o presidente da Abiplast, José
Ricardo Roriz Coelho. O dirigente, que participou de seminário em São Paulo,
assinalou que a demanda pelos produtos do setor vai crescer no País em torno de
3%, mas isso será coberto, em boa parte, pela importação. Isso ocorre por causa
de entraves à indústria nacional, observou Coelho, como o alto custo de energia
elétrica, de encargos trabalhistas e da carga tributária. Há ainda questões
específicas do segmento, como o aumento do preço da matéria-prima e o fato de
haver número "excessivo" de micro e pequenas empresas no mercado
nacional. A atividade reúne 11 mil companhias no País, das quais cerca de 500
estão no Grande ABC.
Custo da
produção está 30% a 50% mais caro
Na
região do ABC, Alessandro Guardalben, diretor da empresa Poliembalagem, de
Mauá, relatou que as vendas caíram e os custos aumentaram. "Depois da
greve da Receita Federal (que gerou atrasos na liberação de mercadorias na
alfândega), houve altas sucessivas de matéria-prima. Desde o início do ano, já
subiram 37%, talvez até mais", afirmou. Também presente ao seminário na
Capital, o vice-presidente da Braskem, Luciano Guidolin, assinalou que as
resinas são mais caras no Brasil do que em outros países por causa da alta
tributação. "O custo da produção está 30% a 50% mais caro do que deveria
estar", disse. Para fortalecer a
competitivididade do segmento, o BNDES tem, há dois anos, programa chamado
Proplástico. Essa linha de financiamento, que também é voltada a para a
consolidação (ou seja, a fusão ou aquisição de outras companhias do ramo), já
reúne R$ 300 milhões em carteira (operações diretas).
Nova associação
Dez
pequenas indústrias do plástico do Grande ABC formaram recentemente uma
associação do segmento, chamada ADETIP (Associação de Desenvolvimento
Econômico, Tecnológico da Indústria do Plástico). Segundo o diretor de
comunicação da entidade, André Ganzeletch, inicia-se agora trabalho para obter
o fortalecimento técnico e econômico dessas indústrias ao longo dos próximos
dois anos. Entre os objetivos: melhorar a capacitação de empregados e buscar
linhas de crédito para modernizar equipamentos./Diário
Grande ABC
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