O setor de transformados plásticos, constituído
por 12 mil empresas e terceiro maior empregador da indústria de transformação
no Brasil, foi surpreendido pelo anúncio, no dia 04 de setembro (terça-feira),
da proposta do governo de aumentar a alíquota de importação, de três de suas
principais matérias-primas: as resinas de polietileno de baixa densidade,
linear e o de alta densidade. Estas são utilizadas para a produção, dentre
outros itens, das principais embalagens da cesta básica, alimentos, bebidas e
produtos de limpeza, da área de saúde e construção civil.
Essas resinas, que já tiveram seu imposto de
importação aumentado de 16% para 20%, têm proteção muito acima da média
mundial, de 7%. "O que mais surpreende é que esses insumos que podem
sofrer a elevação da alíquota são supridos por uma única empresa no Brasil, o
monopólio formado pela Braskem", salienta José Ricardo Roriz Coelho,
presidente da Abiplast.
Déficit
comercial duplicado
Segundo
Roriz, "um setor tão importante para a economia nacional sofre um duro
golpe, representado pelo encarecimento de matérias-primas, em um momento no
qual enfrenta queda de produção de 6,37% no primeiro semestre deste ano em
relação ao mesmo período de 2011, uma das piores performances de toda a
indústria de transformação". O
setor, que reduziu nos primeiros seis meses de 2012, em 41% o seu investimento
em máquinas e equipamentos, dobrou nos últimos quatro anos o seu déficit
comercial. Um dos principais motivos desse desequilíbrio é que a proteção à
importação dos insumos, como as resinas plásticas, é muito maior do que a dos
manufaturados que o setor de transformação produz. Contudo, a indústria de
transformados plásticos tem um número infinitamente maior de empresas
competindo no mercado e emprega 30 vezes mais, do que o segmento fabricante de
resinas.
Setor
exposto
Roriz ressalta que "portanto, não caberia ao
governo proteger da concorrência internacional os grandes monopólios instalados
no País, mas sim os setores mais expostos à jusante da cadeia produtiva, que
agregam mais valor aos produtos e geram mais empregos". Ele observou ainda
que "essa equivocada medida poderá ter impacto negativo nos preços finais
de vários produtos, prejudicando os consumidores, que pagarão a conta. Decisões
como este aumento de alíquota ajudam uma empresa num determinado momento, mas
têm efeito devastador na cadeia produtiva. Existem vários setores que devem ser
protegidos, que são aqueles expostos à concorrência internacional desigual e
desleal, o que definitivamente não é o caso das resinas termoplásticas”./Fator Brasil - Portal
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