As empresas de transformação de
plástico têm procurado seus clientes para iniciar negociações visando ao
repasse aos preços finais do aumento nos custos de produção. O índice médio
projetado é de 15%, decorrente dos reajustes das principais resinas e da variação
do dólar. A demanda do setor foi detalhada por Jaime Lorandi, presidente do
Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), em
coletiva de imprensa, ontem à tarde, no Parque de Eventos da Festa Nacional da
Uva, em Caxias do Sul, onde se realiza, até amanhã, a Plastech Brasil 2013.
Resistência
De acordo com o empresário, o
repasse não é linear, sendo negociado por cliente. Mas afirma que o índice é
necessário para a saúde financeira das indústrias do setor. “Estamos tentando
entabular negociações, mas a resistência é grande. Porém, o alinhamento terá de
ser feito para que as empresas possam suportar os novos custos,” enfatizou.
Lorandi assinalou que, diante do quadro atual, muitas organizações já começam a
abrir mão de algumas das suas responsabilidades econômicas, como as de não
remunerar o capital e sacrificar as margens de rentabilidade, e existem casos
de renegociação de dívidas com bancos e fornecedores. No entanto, a atividade
projeta para este ano aumento nos volumes de produção. A Associação Brasileira
da Indústria do Plástico estima alta de 1,5%, abaixo do esperado para o PIB
nacional, que é de 2%. Mas o setor gaúcho, na visão de João Luiz Zuñeda,
diretor da MaxiQuim, crescerá o dobro do indicador médio do Brasil.
Mais embalagem
De acordo com Lorandi, o segmento
de embalagens plásticas, que responde por cerca de 40% da transformação, deve
produzir 6% mais neste ano. Porém, com rentabilidade bastante comprometida,
pois fechará o exercício com ociosidade elevada. “O setor investiu pesado, de
2010 a 2012, em novos equipamentos, aproveitando as condições de amortização e
juros baixos oferecidos por meio do PSI. Temos, neste momento, capacidade
superestimada para o mercado,” explicou. Já o segmento de plásticos de engenharia
crescerá mais do que o de embalagens flexíveis, acompanhando o desempenho da
indústria automotiva, que deve fechar o ano com alta de até 15% em produtos
como caminhões e máquinas agrícolas, um dos principais mercados das peças
técnicas.
Além do aumento natural do consumo, o empresário Orlando Marin,
presidente da Plastech 2013, destaca a conquista de novos segmentos, ocupando
hoje espaço antes ocupado por vidro e metais. Em razão desta demanda, as
empresas de peças técnicas têm operado próximo ao seu limite de capacidade. O
grande problema, segundo Marin, é o repasse dos custos. “Esta atividade
trabalha com preços fechados, por meio de contratos de longo prazo. E, por
isso, as margens para negociação de repasse são mínimas”, observa.
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