29 de ago. de 2013

Setor do plástico negocia repasse aos preços

As empresas de transformação de plástico têm procurado seus clientes para iniciar negociações visando ao repasse aos preços finais do aumento nos custos de produção. O índice médio projetado é de 15%, decorrente dos reajustes das principais resinas e da variação do dólar. A demanda do setor foi detalhada por Jaime Lorandi, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), em coletiva de imprensa, ontem à tarde, no Parque de Eventos da Festa Nacional da Uva, em Caxias do Sul, onde se realiza, até amanhã, a Plastech Brasil 2013.

Resistência
De acordo com o empresário, o repasse não é linear, sendo negociado por cliente. Mas afirma que o índice é necessário para a saúde financeira das indústrias do setor. “Estamos tentando entabular negociações, mas a resistência é grande. Porém, o alinhamento terá de ser feito para que as empresas possam suportar os novos custos,” enfatizou. Lorandi assinalou que, diante do quadro atual, muitas organizações já começam a abrir mão de algumas das suas responsabilidades econômicas, como as de não remunerar o capital e sacrificar as margens de rentabilidade, e existem casos de renegociação de dívidas com bancos e fornecedores. No entanto, a atividade projeta para este ano aumento nos volumes de produção. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico estima alta de 1,5%, abaixo do esperado para o PIB nacional, que é de 2%. Mas o setor gaúcho, na visão de João Luiz Zuñeda, diretor da MaxiQuim, crescerá o dobro do indicador médio do Brasil.

Mais embalagem
De acordo com Lorandi, o segmento de embalagens plásticas, que responde por cerca de 40% da transformação, deve produzir 6% mais neste ano. Porém, com rentabilidade bastante comprometida, pois fechará o exercício com ociosidade elevada. “O setor investiu pesado, de 2010 a 2012, em novos equipamentos, aproveitando as condições de amortização e juros baixos oferecidos por meio do PSI. Temos, neste momento, capacidade superestimada para o mercado,” explicou. Já o segmento de plásticos de engenharia crescerá mais do que o de embalagens flexíveis, acompanhando o desempenho da indústria automotiva, que deve fechar o ano com alta de até 15% em produtos como caminhões e máquinas agrícolas, um dos principais mercados das peças técnicas. 

Além do aumento natural do consumo, o empresário Orlando Marin, presidente da Plastech 2013, destaca a conquista de novos segmentos, ocupando hoje espaço antes ocupado por vidro e metais. Em razão desta demanda, as empresas de peças técnicas têm operado próximo ao seu limite de capacidade. O grande problema, segundo Marin, é o repasse dos custos. “Esta atividade trabalha com preços fechados, por meio de contratos de longo prazo. E, por isso, as margens para negociação de repasse são mínimas”, observa.

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