As indústrias de embalagens
plásticas flexíveis devem voltar a fazer investimentos a partir de 2013.
Alfredo Schmitt, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de
Embalagens Flexíveis (Abief), afirmou que a quebra da safra agrícola e o forte
volume de importação de transformados plásticos em 2012 prejudicaram o
desempenho do setor. "A expectativa é de que a safra agrícola se recupere
e a crise global se arrefeça, o que deverá estimular os aportes para a compra
de equipamentos", disse Schmitt.
Receita de R$ 20 bilhões
O setor de transformados
plásticos, a chamada 3ª geração petroquímica, pode ter encerrado 2012 com
receita de R$ 55 bilhões, de acordo com estimativas da Abief. Essas indústrias
empregam 350 mil trabalhadores diretos e representa cerca de 11 mil empresas no
país. Somente o segmento de embalagens flexíveis - utilizadas em larga escala
pelas indústrias agrícolas, de alimentos e produção de sacolinhas plásticas -
representa cerca de 35% desse montante, com receita de R$ 20 bilhões, e produção
de 2 milhões de toneladas por ano, de um total de cerca de 6 milhões de
toneladas de toda a cadeia plástica. "A expectativa é de que a produção em
volume cresça entre 5% e 7% em 2013", afirmou Schmitt.
Ano de decisões
O renascimento da indústria
petroquímica americana, com a exploração do "shale gas" (gás de
xisto) preocupa a cadeia nacional, uma vez que promoverá oferta abundante de
produtos a partir de matéria-prima mais barata. A petroquímica brasileira
utiliza a nafta como principal insumo. Para Schmitt, 2013 será um ano
importante de tomada de decisão para o setor. "Temos que tomar decisões
importantes para que as indústrias sobrevivam, perpetuem e cresçam. E para isso
temos que ter ao nosso lado a Petrobras. A presença da Petrobras ao lado dos
demais elos da cadeia, participando de um projeto para tornar a indústria de
transformação plástica competitiva, é de fundamental importância. Embora a
estatal seja uma petroleira, entendo ser indissociável de sua missão o
fortalecimento da cadeia produtiva do plástico."
Comperj
Em 2011, segundo ele, o segmento
de embalagens plásticas flexíveis amargou um déficit comercial de 58 mil
toneladas equivalentes em produtos, o que corresponde a U$ 357 milhões. Os
dados de 2012 ainda não foram atualizados, mas não fogem muito da realidade do
ano anterior. O projeto do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) é
considerado de extrema importância para a 3ª geração do setor. A decisão dos
investimentos da parte petroquímica do projeto, em parceria com a Braskem, ainda
está em discussão, sem uma data definida para o início das obras. Para Schmitt,
esse projeto deverá estimular o crescimento do mercado de resinas no mercado
interno.
Fonte: Valor B6 4/01
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