19 de set. de 2012

Fabricantes tentam aumentar o plástico nos carros


As indústrias químicas estão buscando novas oportunidades para elevar sua participação no setor automobilístico, substituindo metais, como aço e alumínio, pelos chamados plásticos de engenharia. Atualmente, cada carro já tem de 10% a 15% de plásticos em sua composição e a expectativa é de que possa subir para até 25%, nos próximos anos. Um automóvel de passeio comum, como o modelo Gol, por exemplo, pesa em torno de 900 quilos a uma tonelada, em média. A expectativa é de que com mais plásticos em sua composição, o veículo fique mais leve e emita menos CO2. Esse conceito faz parte do chamado carro sustentável. A expectativa é de que a demanda por mais plásticos na composição dos automóveis cresça de 5% a 7% ao ano até 2020, segundo especialistas.


Produzido a partir do polipropileno (PP) 

No Brasil, boa parte dos plásticos utilizados na composição dos veículos é produzido a partir do polipropileno (PP), considerado menos resistente e mais caro que os plásticos de engenharia. Segundo Andreas Scheurell, diretor-geral da divisão de materiais de alta performance (HPM, na sigla em inglês) do grupo químico alemão Lanxess, os plásticos de engenharia, como o polibutileno tereftalato (PBT) e o poliamida (PA), são mais eficientes em relação à leveza e resistência do veículo. No entanto, o Brasil ainda utiliza uma espécie de plástico híbrido com o metal, enquanto em países mais desenvolvidos o plástico de engenharia já é utilizado. A Lanxess vai colocar em operação no Brasil uma fábrica de PBT e PA em Porto Feliz (SP) a partir do 3º trimestre de 2013. Segundo o executivo, a companhia já tem conversas com montadoras instaladas no país para discutir a substituição dessas matérias-primas nos veículos. Essa unidade terá capacidade para produzir 22 mil toneladas desses produtos por ano e terá capacidade para expandir sua capacidade, caso a demanda cresça. O grupo alemão inaugurou ontem uma unidade de plásticos de engenharia em Gastonia, na Carolina do Norte, com capacidade para 20 mil toneladas por ano. Esses produtos podem ser adicionados a aditivos e fibras de vidro, conforme a demanda de cada cliente.


Borrachas de alta performance

Atualmente, os plásticos de engenharia estão mais presentes em carros de luxo. Segundo Josef Kerscher, presidente da unidade da BMW da Carolina do Sul, a companhia tem buscado nos últimos anos trabalhar com matérias-primas sustentáveis em seus veículos. A unidade da BMW em Carolina do Sul produz um veículo por minuto e cada um deles já tem um comprador garantido. Cerca de 70% da produção daquela unidade é exportada e uma pequena parte chega ao Brasil, segundo o executivo, sem especificar o volume. De acordo com Kerscher, a companhia voltou a fazer contratações depois da crise global e o setor automobilístico está em recuperação.
Além dos plásticos, a busca por borrachas de alta performance, com matérias-primas sustentáveis, está entre os desafios das indústrias. Hoje a Lanxess possui o chamado pneu "verde", produzido com matéria-prima de alta performance, o que permite melhor desempenho com a redução do uso de combustíveis. Christoph Kalla, coordenador de Marketing, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da unidade de negócios de performance de borracha de butadieno da companhia, diz que pesquisa matérias-primas mais sustentáveis para a produção de pneus sustentáveis.


Matéria-prima butílica

Atualmente há pesquisas nos EUA para a produção de pneus a partir de matéria-prima butílica, com base em moléculas de milho (o milho é a principal base para a produção de etanol nos EUA). No Brasil, as pesquisas giram em torno do eteno com origem no etanol de cana, produzido pela Braskem, concorrente com a Lanxess em butadieno. A Lanxess produz pneus de alta performance no Brasil na fábrica de Cabo de Santo Agostinho (PE). "Essa unidade do Brasil é considerada 'benchmark' nesse quesito", disse Kalla./Valor B5

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