As
indústrias químicas estão buscando novas oportunidades para elevar sua
participação no setor automobilístico, substituindo metais, como aço e
alumínio, pelos chamados plásticos de engenharia. Atualmente, cada carro já tem
de 10% a 15% de plásticos em sua composição e a expectativa é de que possa
subir para até 25%, nos próximos anos. Um automóvel de passeio comum, como o
modelo Gol, por exemplo, pesa em torno de 900 quilos a uma tonelada, em média.
A expectativa é de que com mais plásticos em sua composição, o veículo fique
mais leve e emita menos CO2. Esse conceito faz parte do chamado carro
sustentável. A expectativa é de que a demanda por mais plásticos na composição
dos automóveis cresça de 5% a 7% ao ano até 2020, segundo especialistas.
Produzido
a partir do polipropileno (PP)
No
Brasil, boa parte dos plásticos utilizados na composição dos veículos é
produzido a partir do polipropileno (PP), considerado menos resistente e mais
caro que os plásticos de engenharia. Segundo Andreas Scheurell, diretor-geral
da divisão de materiais de alta performance (HPM, na sigla em inglês) do grupo
químico alemão Lanxess, os plásticos de engenharia, como o polibutileno
tereftalato (PBT) e o poliamida (PA), são mais eficientes em relação à leveza e
resistência do veículo. No entanto, o Brasil ainda utiliza uma espécie de
plástico híbrido com o metal, enquanto em países mais desenvolvidos o plástico
de engenharia já é utilizado. A Lanxess vai colocar em operação no Brasil uma
fábrica de PBT e PA em Porto Feliz (SP) a partir do 3º trimestre de 2013.
Segundo o executivo, a companhia já tem conversas com montadoras instaladas no
país para discutir a substituição dessas matérias-primas nos veículos. Essa
unidade terá capacidade para produzir 22 mil toneladas desses produtos por ano
e terá capacidade para expandir sua capacidade, caso a demanda cresça. O grupo
alemão inaugurou ontem uma unidade de plásticos de engenharia em Gastonia, na
Carolina do Norte, com capacidade para 20 mil toneladas por ano. Esses produtos
podem ser adicionados a aditivos e fibras de vidro, conforme a demanda de cada
cliente.
Borrachas
de alta performance
Atualmente,
os plásticos de engenharia estão mais presentes em carros de luxo. Segundo
Josef Kerscher, presidente da unidade da BMW da Carolina do Sul, a companhia
tem buscado nos últimos anos trabalhar com matérias-primas sustentáveis em seus
veículos. A unidade da BMW em Carolina do Sul produz um veículo por minuto e
cada um deles já tem um comprador garantido. Cerca de 70% da produção daquela
unidade é exportada e uma pequena parte chega ao Brasil, segundo o executivo,
sem especificar o volume. De acordo com Kerscher, a companhia voltou a fazer
contratações depois da crise global e o setor automobilístico está em
recuperação.
Além
dos plásticos, a busca por borrachas de alta performance, com matérias-primas
sustentáveis, está entre os desafios das indústrias. Hoje a Lanxess possui o
chamado pneu "verde", produzido com matéria-prima de alta
performance, o que permite melhor desempenho com a redução do uso de
combustíveis. Christoph Kalla, coordenador de Marketing, Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D) da unidade de negócios de performance de borracha de
butadieno da companhia, diz que pesquisa matérias-primas mais sustentáveis para
a produção de pneus sustentáveis.
Matéria-prima
butílica
Atualmente
há pesquisas nos EUA para a produção de pneus a partir de matéria-prima butílica,
com base em moléculas de milho (o milho é a principal base para a produção de
etanol nos EUA). No Brasil, as pesquisas giram em torno do eteno com origem no
etanol de cana, produzido pela Braskem, concorrente com a Lanxess em butadieno.
A Lanxess produz pneus de alta performance no Brasil na fábrica de Cabo de
Santo Agostinho (PE). "Essa unidade do Brasil é considerada 'benchmark'
nesse quesito", disse Kalla./Valor B5
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