31 de mar. de 2011

Empresas usam resíduos agrícolas para produzir PET, mas iniciativa é alvo de dúvidas

    A Pepsico anunciou recentemente ter conseguido produzir uma garrafa, apenas com resíduos agrícolas, como cascas de pinheiro, laranja e batata. Em 2012, a empresa colocará a embalagem experimentalmente no mercado, num projeto-piloto. Depois, a ideia é expandir o seu uso. Desde o ano passado, a Coca-Cola produz a "plant bottle"  - embalagem feita com até 30% de cana-de-açúcar.  Nos dois casos, a boa notícia é a substituição de uma fonte não renovável - o petróleo - por outra renovável na produção do PET. A demanda por PET só cresce no País. De 1994 até 2010, o aumento chegou a 525% - no último ano foram produzidas 500 mil toneladas.

Mas as iniciativas ainda são controversas. Até mesmo o presidente da Abipet, Auri Marçon, tem dúvidas.  Ele louva a iniciativa das empresas em pesquisar matérias-primas mais sustentáveis, mas faz ressalvas. Diz não conhecer "o pulo do gato" que permitiu à Pepsico fazer uma garrafa apenas com resíduos agrícolas. "Tentei inúmeros caminhos e não consegui descobrir a rota. Os cientistas do setor de PET desconhecem a rota química ou a patente adotada e dizem que isso é um desafio extraordinariamente difícil", afirmou Marçon. Para ele, é preciso ter cuidado ao falar de um produto, "que ainda não está na mão". "Respeito, porque é empresa de renome, mas gostaria de entender melhor como fizeram."  

O plástico PET é produzido a partir da reação química de dois componentes: MEG (monoetileno glicol), responsável por cerca de 30% de seu peso, e o PTA, responsável pelos 70% restantes. Segundo a Coca-Cola, "atualmente, podemos produzir em escala industrial o MEG a partir de origem vegetal". A empresa diz, porém, que trabalha "para desenvolver o outro componente, o PTA, também a partir de fonte vegetal renovável". Mas não há previsão de quando o objetivo será alcançado. Marçon mostra uma incongruência no caso da Coca-Cola. Ele explica que o resíduo da cana é mandado do Brasil para a Índia, onde está parte da matéria-prima, para produzir o MEG. A resina PET é fabricada no país asiático e depois volta para o Brasil, para embalar o refrigerante. "Se for levar em consideração essa equação logística, provavelmente não há um equilíbrio ambiental, não é viável em termos de meio ambiente. Porque vai transportar o líquido lá para a Ásia, olha a emissão que se tem de combustível de navio", avalia o presidente da Abipet.

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